sábado, 28 de maio de 2011

ATERRO [DESTERRO]


Aqui onde não se esconde o lixo
se oculta a memória.
Vestígios do existir:
excesso de uns,
fome de outros,
restos de fluidos carnais,
descarte dos amores,
imagens do luxo.
Aqui onde se sepulta o lixo
escorrem lágrimas da terra.
Aqui se misturam lágrimas venenosas e
fétidas
com o fluxo das águas límpidas.
Aqui se mesclam emoções de plástico
com corações de papel,
com olhos de vidro.
Aqui nos esquecemos
para que outros se lembrem de nós.
Aqui os restos de vida bailam
Aqui os excluídos da vida reafirmam a existência

18/05/11

terça-feira, 1 de junho de 2010

SOLAR


lenta é a agonia da paixão
nesses breves dias
sombras e sobras
vão se evaporando


agora os animais imaginários
feitos de nuvens
se exibem plácidos
outra vez


agora o sol
visita este lugar


01.06.2010
VAZIO II


fique no passado
seu lugar agora


agora eu ponho o vazio
no seu lugar


es(vazio) seu lugar


falta não
agora a falta
é um lugar para quem vem


tudo que foi tão bom
é você aí no passado




01.06.2010

sábado, 8 de maio de 2010

MEMÓRIA


Tanto
Quanto o que sei
É o que não sei
Que vem em torrentes
Em vagas intermitentes
Lacunares


Tanto que sei
[Memória]
É tanto o que esqueci
Tanto quanto está na pele
Na memória que não emerge


Tudo está lá
Em algum lugar como marcas
Aciono sem querer
[Movo e sou movido]


A bagagem da memória
Me carrega e eu a carrego
Em mim.


08.05.2010

sábado, 1 de maio de 2010

ESBOÇO


a vida é esboço perdido
onde consta o inusitado


quase descontrole
constante fluir


cotidiano sempre novo
com um novo velho sol
(inexorável)


fruição: destino e escolha


a vida é esboço perdido
onde não consta manual.


01.05.2010

sexta-feira, 30 de abril de 2010

DE NOVO

meu delírio
é que você não mente

[hesito adiante]

frente ao espelho
minto

a verdade,
toda a verdade
não pode ser escrita

não há ouvidos suficientes
para escutar a verdade

tento não mentir tanto
para mim mesmo

a mentira precisa ser dita
nem sempre muitas vezes

as faces se sobrepõem
misturo todas
tento tudo outra vez.

30.04.2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

VERÃO


os longos crepúsculos
não resistem
às suas primeiras palavras
sua pele toca o mundo
sigo assim seu rumo
nesses longos crepúsculos.


26.04.2010
SE

e se eu decidir silenciar
não mais medir o tempo
esvaziar seu espaço
e definir que você não mais existirá?

faço luto
lucro ainda
enquanto o tempo se sobrepõe
nega tudo
desfaz o que é feito de matéria vã

e se eu silenciar?

26.04.2010
FEBRES

depois que as febres e os suores
vão se dissipando
e as dores vão se amenizando
olho no céu sem nuvens
outra vez a linha do céu
o horizonte de todas as vidas


os sentidos recobram sua nitidez
até o paladar volta ao costume


que seria da vida sem estas febres loucas?


que nos ensinam
da nossa imperfeição?
que nos dizem
da nossa finitude?

que nos lembram que tudo passa?


29.04.2010

sábado, 20 de março de 2010

OS PEIXES


Os peixes emergem
Na linha d’água
Para aproveitar
As estrelas cadentes.


2010
MOLDURA


Não quero o mundo
Enquadrado
Pela janela do meu carro.


2010
FUGA

encontro as alucinações
que me assaltam
vislumbro seu rosto perdido
movimentos mecânicos
além dos músculos
aquém

algo entre a pergunta
e a resposta:

dúvida, apego, afeto, amor

e fuga.

04.03.2010
TUDO


eu quero de você
quase nada
mas nada menos
que amor.


04.03.2010
RASCUNHO


eu sou o centro
e não me movo
nem com o novo
nem com o velho
ou o intermediário


rascunho um tempo
fora de mim
escrevo palavras soltas
a significarem
para outros
algo que nem disse.


20.03.2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

SINAL

Não me siga
Nem sei o caminho
Me perco sempre
E nem as pedras
Indicam por onde passei.

31.01.2010
QUESTÕES



Para que tanta roupa
Se não é possível esconder
A sua mais íntima face?
Para que disfarce
Se tudo é exposto
Como nas vitrines?
Para que silenciar
Diante de um coração
Em movimento acelerado?
Os hermetismos fabricados
Se lançam com fúria
Na vida.

31.01.2010
LAÇO



As palavras contornam a esquina
Se perdem no éter
Se encontram no poema.


31.01.2010
PASSAGEM


e no entanto, estou aqui
prenhe de objetos sem palavras
e no entanto, o tempo flui
o tempo vem
o tempo estabelece seu império
quanta palavra sem que eu saiba onde
relógios insinuam apenas o que passou
o nome do tempo é saudade.

31.01.2010

sábado, 19 de dezembro de 2009

SÁBADO


neste estado transitório do ser
puros sentidos
tato
se instala a saudade nesta ilha


em português posso dizer:
saudade


ouço a música do Ira
saudade
acordo com alegria
saudade
falo com os amigos
saudade
sinto o cheiro da feijoada
saudade
leio o livro do iogue
saudade
escrevo o poema
saudade


as imagens pronunciam seu nome
suave saudade
química
doce ausência
até que os olhos dêem conta
de sua chegada.


19.12.2009 10h04min sábado

domingo, 29 de novembro de 2009

HOMENGAGEM


Vou pintar o céu
Dizer sim
Enquanto tanto tudo
Cabe aqui


Vou aconchegar o sentimento
Ventar
Ler as mensagens das garrafas
Enquanto tanto tudo
Nasce aqui


Vou pintar o céu
Com as cores das tintas
que você quiser.


29.11.2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

OS DEUSES ESTÃO ENTRE NÓS


as saias giram contra o véu da noite
os cantos aceleram as vibrações cardíacas
os deuses estão entre nós
festejam
usufruem da comida
da ambiência humana
se agitam


as mulheres se agigantam
deusas negras
da dor extraem a festa
(secularmente)


sagrado e profano
festa dos sentidos
presença negra nos céus
onipresença nas terras da bahia
olgas balançam o ar
os deuses estão entre nós.


20.11.2009
IMAGEM


na fotografia dos pensamentos
(dos meus)
se revela a sua imagem


na sua fotografia
aparecerá meu tom
minha alegria
minha paz


na sacada sou eu
prenhe de lembranças...
sentidos inflamados


na janela sou eu
na espera
olho atento


na fotografia é você
feliz
feliz demais


na casa sou eu
cheio de expectativas
então, chegue logo.


20.11.2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ASSIM


vou procurar você
na minha pele
na minha barba por fazer
nas tatuagens da memória

vou procurar você
nas sombras que me seguem
na expressão dos grilos
na alegria que move a casa

vou encontrar você
no vento que traz segredos
nas buzinas à toa
nos degraus

vou encontrar você
aqui
vou encontrar você
em mim
vou encontrar você
assim

vou guardar você
aqui assim
aqui em mim

vou tatuar em você
meus resquícios
meus vícios
minhas alegrias
minhas rimas soltas
meu amor.


19.11.2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

CÉU



Poeira das estrelas
Canções de amor e alegria
deleite


Nós em fricção
Fronteiras ultrapassadas
Pele
pele
pele
pele



Lá fora o sol se esmera
Parece que a cidade é fantasma
Não ouvimos os sons

Música e música
e mais música
O amor se instaura
O instante, aqui é eterno
O céu é você.



02.11.2009

O tempo parou por aqui


As estrelas devem estar lá fora
Desejam participar da festa
Nem sabemos mais do tempo
Nem se o sol já nasceu
Nem se choveu
Nem sabemos se há nuvens


O tempo parou por aqui


Nem precisamos de relógio
Esse desejo
Esse momento
Essa vida que nos assalta
Prolonga as horas indefinidamente


O tempo parou por aqui


Nem mensagens de celular
Nem os correios
Nem e-mails
Nos alcançam
Voamos, navegamos, mergulhamos
Nas surpresas de nós mesmos.


O tempo parou por aqui


Festa dos sentidos
Enlaces
Pura alegria
Êxtase que nem no Cirque du Soleil
Meditação
Sexo, toque, suspiros
Risos, olhares em demasia
E algo para comer
Maria Bethânia, Edith Piaf via Bibi:
Sons que visitam nosso ninho.


O tempo parou por aqui


Inútil calendário
Um amor se desenha
com flores amarelas
Entre quadros e esculturas
No meio dos livros
Assim nos invadimos sem parar.


O tempo parou por aqui.


02.11.2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

ESPERA


de todos os beijos
o seu
apaga os outros


de todos os beijos
o seu
dispara o enigma

de todos os beijos
o seu
exige pulsação

de todos os beijos
o seu
afeta a memória

de todos os beijos
o seu
fica aqui germinando

de todos os beijos
o seu
aguarda em mim o seu chamado.

21.10.2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

FAÍSCAS


essa sede de viver tudo
tudo tocar
qualquer coisa sentir
amar muito e sempre


essa ânsia de mais
de provar tudo
de ter todos os prazeres
essa inflação de expectativas
todo o futuro nas mãos:


isso produz faíscas

16.10.2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

FRICÇÃO


estou a um passo do abismo
beira
fronteira
nos liames do que sentimos

desejo desvendar o seu desejo
que não decifro ainda



busca inesgotável
que não se conclui em mim
que não começa em você

silêncio na cidade
cá dentro um barulho
busca do abismo da beira



ainda decifro seus silêncios
suas ausências
sua presença cintilante
sua pele



ainda saberei de mim.


12.10.2009

domingo, 11 de outubro de 2009

LEVEZA

Você chega assim delicadamente
Gestos lânguidos
Sorriso largo com os olhos apertados
Tudo leveza
Saudando um novo dia

Não há jeito,
Tento adivinhar seus pensamentos
Nos seus silêncios ponho palavras

Deixa o seu perfume
E uma montanha de paz
Mesmo que haja algo de tristeza em seu olhar

Há no seu olhar uma procura
Um desejo
Meu desejo se alimenta e se ergue
Mansamente

Começo o dia com sua visita
Com seus sons suaves
Com sua voz suave
Com seu anel
Com sua pulseira de tornozelo
Com sua tatuagem
Com seus passos leves
Pura beleza, tentação

O poema sai assim tão sensual
Tão casual.
As horas ficam mais leves com você
O poema sai leve pra você

06.10.2009
O QUE A NOITE TRAZ

Os sons da noite se fazem audíveis
A marca do relógio
O tempo da saudade de quem desconheço
Os poemas de Arnaldo Antunes
As máquinas com seus silvos repetitivos
Tudo insiste em ocupar pedaços da noite

Os sons da noite se fazem audíveis

Os relógios registram o tempo
Os relógios não marcam as marcas
Os relógios anunciam uma metáfora de existir
Os relógios interrompem o fluxo da vida
Os relógios repetem a ficção

Esta noite traz um vento desorientado
O poeta está perdido na miragem dos pontos de luz
As estrelas parecem estar no chão
A cidade vai silenciando o dia
A noite assoma plena
Quando os relógios fixam a hora de dormir
Saudade de mim
Saudade de ninguém
Saudade do futuro
Eu aguardo que eu durma e acorde
Eu me divido
Eu sonho
Eu contemplo a cidade
Parece que as estrelas estão no chão.

01.10.2009

PÉTALAS

As pétalas foram espalhadas na varanda
Um imenso vazio se apodera
De tudo ao redor

Quem dera as palavras pudessem ganhar vida
Quem dera
Quem dera gritar alto sem incomodar os vizinhos
Quem dera
Quem dera que as pétalas ressuscitassem flores
Acordassem flores
Quem dera alguém entrasse aqui com flores

Quem dera
Domar a fera
Ferir as dores

A cidade está em festa e luzes
Olho tudo com distância
As pétalas esperam pelos primeiros raios de sol
Outra vez acordar
Ânimo na sucessão das horas modorrentas
Enquanto as pétalas aguardam seu destino.

01.10.2009
TRISTE

Para Fátima Berenice

Quem disse que o poema não pode ser triste?
Quem disse
Quem disse que o poeta é triste?
Quem disse

O poema resiste
Triste
O poema existe
Em riste
O poema insiste
Triste

Quem disse que o poema é triste?
Quem disse
Quem disse que o poeta não pode ser triste?
Quem disse

Fátima, o poeta insiste
No poema triste
Porque o vazio insiste
Em riste, a dor persiste
A rima rima
Mas é triste.

01.10.2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

EXERCÍCIO

O papel espera as marcas
Cores
Flores vermelhas
dores
Amores voláteis

O papel aguarda o tempo
Lamentos afagos rancores
Cansaço dos dias

O papel vibra pela letra inútil
Palavras fumaça motores
Movimento
Sons noturnos

O papel está inerte
vaguidão
cores lamentos movimento
solidão

flores amores cores motores dores

o papel espera
a alegria bate à porta
a alegria bate
a alegria
a alegria bate
a alegria bate à porta

28.06.2009
João Lopes

terça-feira, 16 de junho de 2009

FLUTUAÇÃO

o corpo flutua
paira sobre a cidade
torna-se uno com a vastidão

o ser flutua
o outro ausente
fala comigo
um sentimento oceânico atravessa o espaço

o corpo flutua
pensamentos fixados num objeto único

o ser flutua
calmaria fúria movimento
o universo está contido na casa
espaço e tempo sem fronteiras
paixão


14.06.2009

João Lopes

sábado, 13 de junho de 2009

NOTÍCIA DO DIA

essa atmosfera é memória
o corpo sente
as marcas da pele
resquícios:
sons cheiros músicas vinho petiscos
peles em atrito
pêlos cabelos vozes
difícil acordar...
sons distantes do dia
a cidade, enfim, nos acorda
cansaço de um combate sem fim
paixão paz paixão paz prazer
trégua

os dias são outros
os dias serão outros
outros dias
outro amor
sinapses por se completar
palavras onomatopéias poesia
tênue memória
vago poema
presença ausência presença ausência
saudade
saudade
saudade

13.06.2009 12h23min

quinta-feira, 11 de junho de 2009

AMANHECERES
Amanhece
A espera incide
Com os primeiros sinais de sol

A pele evoca a memória
Palavras
Carência de palavras

A memória do ontem aflora na superfície
“Memória da pele”
Teu nome é alegria
Humor paixão

A pele lembra
cheiros sons carinhos
chamas abraços interjeições

Amanhece
O dia começa com a voz
A voz insiste no dia

Os amanheceres são felizes
Os amanheceres
Serão muitos

A memória da minha pele
Na sua pele
Nem se importa com a colisão entre Vênus e a Terra
Amanhã, de novo, novo amanhecer
Palavras pele cheiros sons

Esta é a crônica da sucessão destes dias
Memórias realimentadas todo dia
Você chega com o sol
Nesses amanheceres felizes.

11.06.2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

O MAR

Imenso mar
A vida escorrega brilhante
Em celebração
Mar das profundezas abissais
Das insularidades
Qualquer palavra não o contém
abismos
Fúria azul.

15.01.2003
FOTOSSÍNTESE

Quero o sol na minha cabeça
Então regurgitarei todas as palavras
Fórmulas
Modas
O mundo nem se lembrará da explosão
Da gênese
Síntese de todas as belezas

Quero o esconderijo do quarto
voltar pra casa
Sacudir a poeira

Kafka que me perdoe
Mas o inseto não sou eu
Sou cores prismáticas
Nas alamedas caóticas
trânsito bárbaro
dinheiro que rola nas ruas
dinheiro que move a política
metáforas
síntese das plantas
O sol nas plantas
Fotossíntese.

23.09.2007

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

EXISTIR

A linha fluídica das horas
Personifica um relógio
Que freqüenta as flores da janela.
O vácuo não recua,
As palavras embriagam meu espírito
Milênios assim.
Nessa circunstância existencial
Seria melhor o silêncio sem palavras.

06.01.2002
BAGDÁ

um papel em branco
é sempre uma tentação
uma fuga
um vazio
meros traços

palavras sem fundo
tomam conta da alma
da aura
da água
das marés
o mundo é composto de palavras

tento na rima fácil subverter
os hermetismos
(iconoclasta)
enquanto as bombas invasoras americanas
destroem a esperança no Oriente Médio.

04.05.2004
FIM

Quando tudo acaba
Vertigem
As palavras bóiam
Num universo de luz diáfana
Pálidas palavras

Quando tudo acaba
Há silêncio instalado
Entre corpos que
Carregam as marcas e avarias
Do caminhar no mundo.

07.01.2006
O BARCO


Velas içadas em mar aberto,
Última peça de um mirante,
Assim ocupo um lugar.

Antes, a força impele-me
À deriva,
À mercê do vento.

Vagalhões decidem sacudir o barco,
Sendo como é,
Sem leme,
Sem direção.

Navego...
Porque navegar é uma ordem impositiva,
Pulsão inexorável.

05.04.97

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O POEMA DIFÍCIL

Verter a poesia
Destilar o poema
Em versos que se perdem
Na liquidez do dia.
A inspiração falta
A onda não molha a areia
A veia está enferrujada

20.02.98
INTERROGAÇÃO

Uma frase sem sentido,
Um elogio qualquer,
As fugas,
Uma flor que verga
murmuro entrelinhas nas frases
entre linhas tênues
disfarço
me desfaço em gestos
economizo a pulsão
que tempo tenho, então?

30.11.2002
O MAL-ESTAR

vultos amarelos ao longe
são luzes, faróis
na longa estrada
que nunca cessa o movimento

a natureza impera
nos sons da noite

os sentidos plenos
a todo vapor
desafiam os costumes
o mal-estar se instala
a natureza derrota a cultura
ou mescla-se com ela
num ponto qualquer
da via de passagem
para lugar nenhum
para qualquer lugar

2005
REFLEXOS

Reflexos da minha imagem
No vidro da mesa
Contra um colo
Reproduzem meu rosto em sombras
Sem contornos
Sem lmites
Indefinido
A aura paira boiando sobre o vidro
Acima da tinta e do papel
O sentido se esvai
A alma se estilhaça
Enquanto se reconstrói
A palma da mão
O destino contém
A palma é o passado
Se refletindo no futuro.

14.12.1997
PORTO

viver emoções superlativas
tragando o amargo sabor
de certas horas
é viver
e acreditar

fragmentos da alma
desespero
tempestade

haverá sempre o porto

o reagrupamento das partículas.
BANALOGIA

sua voz reverbera
me relança no passado
nem tão distante
nem tão ausente

tua presença
tem alegria e dor
tem festa

mas afinal o que fazer
se não sei?
e o riso, este disfarce,
mostra tudo que você
quer esconder?

não trago comigo
nenhum segredo
nem sei porque escrevo este
poema banal.

10.01.1995
RESÍDUOS MODERNOS

a poeira paira
acima das nossas cabeças
as cinzas
poluem o éter

um caminho de (im)possibilidades instala-se
o futuro desliza

02.03.1998

domingo, 25 de janeiro de 2009

MOVIMENTO II

Enquanto a prata colore meus cabelos
A fissura da alma atravessa a rua
A criança explode, eclode, voa
Enquanto a rima, por acaso, soa

Andam estrelas
Voam pedras
Sambam amores

Nestas ruas lavadas de suor
As máquinas rangem,
As máquinas nos acham estranhos

O coração acelera, volátil
Está escrito nas faces:
O amor é demodée.

26.01.2003